sábado, 3 de abril de 2010

Estrutura Geológica e Relevo Brasileiro

Sempre que se fala sobre o relevo brasileiro, três classificações são lembradas: a de Aroldo de Azevedo, a de Aziz Ab'Saber e a de ]urandyr Ross. Você pode pensar que em cinco décadas o relevo do Brasil mudou, ou que havia erro nas primeiras classificações. Entretanto nada disso aconteceu. A verdade é que cada autor seguiu uma "escola" diferente em seus estudos de geomorfologia. Além disso, os recursos eram bem mais limitados na época das primeiras classificações. Sem dúvida, as modernas técnicas de sensoreamento remoto e imagens obtidas por satélite possibilitaram uma visão mais detalhada do território brasileiro, de sua geologia e hipsometria. No entanto, esses três brilhantes geógrafos contribuíram imensamente, cada um a seu tempo, para o estudo do relevo brasileiro.
Antes, porém, de analisar as subdivisões do relevo do Brasil, vamos estudar sua estrutura geológica, sua formação e as alterações que ele sofreu em sua "fisionomia", retomando as noções básicas que vimos na primeira parte deste livro (capítulos 6 a 10).

Estrutura geológica

Dos tipos de estrutura geológica que distinguimos na crosta terrestre, o Brasil apresenta escudos cristalinos ou núcleos cratônicos, bacias sedimentares e cadeias antigas. Não possui dobramentos modernos. Veja o mapa da página ao lado.
As bacias sedimentares ocupam cerca de 64% da área total do território brasileiro. São divididas em grandes e pequenas bacias, denominadas fanerozóicas, porque se formaram nas eras Paleozóica, Mesozóica e Cenozóica.
No Brasil, as áreas cristalinas (escudos) ocupam cerca de 36% do território, tendo sido formadas em épocas muito antigas (pré-cambrianas). Os terrenos arqueozóicos correspondem a 32%, e os proterozóicos a 4% da área total do país. Nos terrenos da Era Proterozóica, estão as riquezas minerais do Brasil (ferro, manganês, bauxita, ouro, entre outros). Portanto, o que denominamos Complexo Cristalino Brasileiro formou-se na Era Arqueozóica e é constituído por rochas magmáticas (granito) e metamórficas (gnaisse). O prof. Aziz Ab'Saber considera dois grandes escudos, seis bacias sedimentares e vários núcleos de menor extensão.
A dinâmica interna e a dinâmica externa do relevo brasileiro
Agentes internos e externos são responsáveis pela formação do relevo terrestre. Vamos ver.

A dinâmica interna

Situado no centro da placa Sul-Americana, o território brasileiro apresenta relativa estabilidade.

NÚCLEO NORDESTINO

Os movimentos orogênicos (dobramentos) no Brasil ocorreram em eras muito antigas (principalmente pré-cambrianas), denominadas ciclo brasiliano, dando origem às serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço.
Os movimentos epirogênicos têm ocorrido nos últimos setenta milhões de anos, soerguendo bacias sedimentares e formando planaltos.
O vulcanismo ocorreu, no Brasil, em épocas muito remotas, principalmente na Era Mesozóica, quando lavas vulcânicas cobriram extensas áreas das regiões de Poços de Caldas e Araxá, em Minas Gerais, e grande parte do planalto Arenito-Basáltico, em São Paulo e no Paraná. A atividade vulcânica esteve presente também na formação de nossas ilhas oceânicas.

A dinâmica externa

O relevo brasileiro, como é muito antigo, vem sofrendo a ação dos agentes externos (principalmente a água e o vento) em seu trabalho de erosão, sedimentação e transporte. Encontramos no Brasil vários exemplos do trabalho da água dos rios (meandros no rio Paraíba do Sul, cataratas do rio Iguaçu, planícies fluviais em vários pontos do país); do mar (falésias no Sul, tabuleiros no Nordeste, tômbolos e restingas ao longo do litoral); das águas das chuvas (voçorocas, deslizamentos) e do vento (dunas litorâneas).

Altimetria

O Brasil não é um país de grandes altitudes. Isso pode ser explicado pela antiguidade do seu território, que sofreu o ataque dos agentes da erosão.

Segundo o IBGE, quase 99% do nosso país é formado por terrenos de menos de l 200 m de altitude, sendo que 41% têm de O a 200 m e 58,5% chegam até I 200 m. Os pontos mais altos do país são o pico da Neblina (3 014 m) e o pico 31 de Março {2 992 m), ambos localizados na serra do Imerí, no Amazonas.
Formas do relevo brasileiro
Planalto, planície e depressão são as principais formas do relevo brasileiro, Entretanto temos alguns termos muito próprios e específicos para denominar certas formas de relevo, como as serras, as chapadas e as cuestas. Veja a seguir como essas formas podem ser definidas:
Serra. Termo usado na descrição física da paisagem de terrenos acidentados, com fortes desníveis (escarpas de planaltos). Geralmente, uma das encostas é uma superfície pouco inclinada, e a outra, uma vertente íngreme.
- Chapada. E um planalto sedimentar típico, com grandes superfícies horizontais (lembram uma mesa).
- Cuesta. Forma de relevo de bacias sedimentares, onde as rochas têm maior ou menor resistência à erosão. É dissimétrica, isto é, tem lados desiguais.
Classificações do relevo brasileiro
Com Aroldo de Azevedo, a primeira classificação
Aroldo de Azevedo empregou termos geomorfológicos para denominar as divisões gerais (planaltos e planícies) e critérios geológicos para classificar as subdivisões, que foram definidas numa segunda etapa do trabalho.
Para diferenciar planalto de planície, usou como critério a altimetria, estabelecendo o limite de 200 m para diferenciar uma forma da outra. Observe, agora, em um mapa mais detalhado, as principais unidades dessa classificação.
Aziz Ab'Saber apresenta a segunda classificação
Em 1962,oextraordináriogeógrafoAzizAb'Sa-ber, usando outro critério, o morfoclimático (que explica as formas de relevo pela ação do clima), ampliou a classificação de Aroldo de Azevedo, acrescentando novas unidades ao relevo brasileiro.
Ab'Saber baseou-se nos processos de erosão e sedimentação para diferenciar planalto de planície, abolindo o nível altimétrico usado por seu antecessor. Segundo ele, todas as superfícies onde predominam agentes da erosão são consideradas planaltos, e as superfícies onde a deposição de sedimentos é maior que a erosão são classificadas como planícies.
Mais do que elaborar uma classificação, o prof. Ab'Saber reuniu as principais características do relevo e do clima de várias regiões brasileiras para formar, com os demais elementos naturais da paisagem (vegetação, hidrografia), o que chamou de domínios morfoclimáticos brasileiros.
O PROJETO RADAM E O RADAMBRASIL
Até a década de 1960 era total o desconhecimento sobre os recursos naturais e o uso da terra na Amazônia A região não estava integrada ao país e não havia como controlar sua ocupação.
Para fazer um levantamento que permitisse esse conhecimento e controle, foi criado, em outubro de 1970, o Projeto Radam (Radar da Amazônia}. O objetivo desse projeto era detalhar a geologia, o relevo, os solos e a cartografia da Amazônia e do Nordeste brasileiro. Em 1971, aviões equipados com radar em sua parte inferior começaram a sobrevoar a região. Aos poucos o projeto foi ampliado e, em 1973, já englobava toda a Amazônia e a maior parte do Nordeste. Em 1975, foi estendido a todo o território nacional e passou a se chamar Radambrasil. O trabalho dos dois projetos foi essencial para o estudo do território brasileiro.
Em 1999, os mosaicos de radar obtidos durante os trabalhos realizados foram transformados em sistema digital, o que ampliou muito o seu uso no estudo dos recursos naturais do Brasil.
Tendo participado do Projeto Radam e levado em consideração a classificação de Ab'Saber, o conceituado prof. Jurandyr Ross, do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo, propôs, em 1989, uma divisão do relevo do Brasil tão detalhada quanto os novos conhecimentos adquiridos sobre o território brasileiro nos projetos que acabamos de ver. Por isso, ela é mais complexa do que as anteriores. Sua proposta é importante porque resulta de um trabalho realizado com o uso de técnicas ultra-modernas, que permitem saber com mais conhecimento como é formado o relevo brasileiro. Esse conhecimento é fundamental para vários projetos econômicos (exploração de recursos minerais, agricultura) desenvolvidos no país.
Nessa nova classificação são consideradas três principais formas de relevo: planalto, planície e depressão. As classificações anteriores consideravam apenas a existência de planaltos e planícies.
Ross aprofundou o critério morfoclimático da classificação de Ab'Saber, que passou a fazer parte de um conjunto de outros fatores, como a estrutura geológica e a ação dos agentes externos do relevo, passados e presentes. Essa terceira classificação considera também o nível altimétríco, já utilizado pelo prof. Aroldo de Azevedo, embora as cotas de altitude sejam diferentes das anteriores.
Desse modo, a classificação de Ross está baseada em três maneiras diferentes de explicar as formas de relevo:
- morfoestrutural - leva em conta a estrutura geológica;
- morfoclimátïca - considera o clima e o relevo;
- morfoescultural - considera a ação de agentes externos.
Cada um desses critérios criou um "grupo" diferente de formas de relevo, ou três níveis, que foram chamados de táxons e obedecem a uma hierarquia.
l'.táxon: Considera a forma de relevo que se destaca em determinada área - planalto, planície e depressão.
2- táxon: Leva em consideração a estrutura geológica onde os planaltos foram modelados - bacias sedimentares, núcleos cristalinos arqueados, cinturões orogênïcos e coberturas sedimentares sobre o embasamento cristalino.
3- táxon: Considera as unidades morfoesculturais, formadas tanto por planícies como por planaltos e depressões, usando nomes locais e regionais.
O relevo de determinada região depende de sua estrutura geológica. Tendo sido feita uma nova classificação do relevo, a ela corresponde uma nova análise da estrutura geológica brasileira
As principais unidades do relevo brasileiro
As novas 28 unidades do relevo brasileiro foram divididas em onze planaltos, seis planícies e onze depressões. Veja a seguir suas principais características.
Planaltos
Compreendem a maior parte do território brasileiro, sendo a grande maioria considerada vestígios de antigas superfícies erodidas. Os planaltos são chamados de "formas residuais" (de resíduo, ou seja, do que ficou do relevo atacado pela erosão). Podemos considerar alguns tipos gerais:
Planaltos em bacias sedimentares, como o planalto da Amazônia Oriental, os planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba e os planaltos e chapadas da bacia do Paraná. Podem ser limitados por depressões periféricas, como a Paulista, ou marginais, como a Norte-Amazônica.
Planaltos em intrusões e coberturas residuais de plataforma (escudos). São formações antigas (dobramentos, serras) da Era Pré-Cambriana, que possuem grande parte de sua extensão recoberta por terrenos sedimentares. Temos como exemplos os planaltos residuais Norte-Amazônicos, chamados de planalto das Guianas nas classificações anteriores.
Planaltos em núcleos cristalinos arqueados. São planaltos que, embora isolados e distantes uns dos outros, possuem a mesma forma, ligeiramente arredondada. Podemos citar como exemplo o planalto da Borborema.
Planaltos dos cinturões orogênicos. Originaram-se da ação da erosão sobre os antigos dobramentos sofridos na Era Pré-Cambriana pelo território brasileiro, As serras do Mar, da Mantiqueira e do Espinhaço são exemplos desse tipo de planalto. Fazem parte dos planaltos e serras do Atlântico Leste-Sudeste.
Depressões
Nos limites das bacias sedimentares com os maciços antigos, processos erosivos formaram áreas rebaixadas, principalmente na Era Cenozóica. São as depressões, onze no total, que recebem nomes diferentes, conforme suas características e localização.
Depressões periféricos. Nas regiões de contato entre estruturas sedimentares e cristalinas, como, por exemplo, a depressão periférica Sul-Rio-Grandense.
Depressões marginais. Margeiam as bordas de bacias sedimentares, esculpidas em estruturas cristalinas, como a depressão Sul-Amazônica.
Depressões ïnter-planálticas. São áreas mais baixas em relação aos planaltos que as circundam, como a depressão Sertaneja e do São Francisco.
Planícies
Nessa classificação grande parte do que era considerado planície passou a ser classificada como depressão marginal. Com isso a unidade das planícies ocupa agora uma porção menor no território brasileiro. Podemos distinguir:
Planícies costeiras. Encontradas no litoral, como as planícies e tabuleiros litorâneos.
Planícies continentais. Situadas no interior do país, como a planície do Pantanal. Na Amazônia, são consideradas planícies apenas as terras situadas junto aos rios. O prof. Aziz Ab'Saber já fazia essa distinção, chamando as várzeas de planícies típicas e as outras áreas de baixos-platôs.

PARA ENTENDER MELHOR

Vamos destacar uma unidade do relevo brasileiro e ver as modificações que ela sofreu com as novas classificações.
Tomemos como exemplo o Planalto Central, que foi a unidade mais modificada.
A classificação do prof. Aroldo de Azevedo
O Planalto Central era uma das unidades do Planalto Brasileiro, compreendendo quase todo o Centro-Oeste e parte do Norte e do Nordeste do Brasil.
Na classificação do prof. AzizAb'Saber
Nessa classificação o Planalto Central tomou-se uma unidade autônoma, mas perdeu sua parte nordestina, que passou a ser chamada de planalto do Maranhão-Piauí,
A classificação do prof. Juranttyr Ross
O Planalto Central deixou de existir como tal, Foi fragmentado em doze partes, porque constatou-se que sua antiga área era formada por planaltos, planícies e depressões, e não por um Único planalto. Nessa área existem duas planícies, cinco planaltos e cinco depressões .

BRASIL-RELEVO

Bacias sedimentares
1. Amazônica oriental
2. Planaltos e chapadas da bacia do Parnaíba
3. Planaltos e chapadas da bacia do Paraná
Intrusões a coberturas residuais de plataforma
4. Planalto e chapada dos Rareeis
5. Planaltos residuais Norte-Amazônicos
6. Planaltos residuais Sul-Amazônicos
Cinturões orogênicos
7. Planaltos e serres do Atlântico Leste-Sudeste
8. Planaltos e serras de Goiás-Minas
9. Planaltos a serras residuais do Alto Paraguai
Núcleos cristalinos arqueados
10. Borborema
11. Sul-Fio-Grandense

DEPRESSÕES
12. Amazônica ocidental
13. Marginal Norte-Amazônica
14. Marginal Sul-Amazônica
15. Araguaia-Tocantins
16. Cuiabana
17. Alto Paraguai-Guaporé
18. Miranda
19. Sertaneja e do São Francisco
20. Tocantins
21. Periférica da borda leste da Bacia òo Paraná
22. Periférica Sul-Rio-Grandense

PLANÍCIES
23. Rio Amazonas
24. Rio Araguaia
25. Pantanal do rio Guaporé
26. Pantanal Mato-Grossense
27. lagoas dos Patos e Mirim
28. Planícies e tabuleiros litorâneos

Fonte: Ross, Jurandyr, Relevo brasileiro: uma nova proposta de classificação. Revista do Departamento de Geografia. Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, n, 4.1990,

28 comentários:

  1. aff é msm mtoo chatoooo
    nem li

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  2. muito bom , me ajudou muito na prova de geografia. tirei 9,7 :D

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  3. Muito bom...achei ótimo,para keim ker estudar!

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  4. "para bom entendedor um ponto é uma frase"

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  5. Vocês que acharam uma chatice, por que leram então ? e se não leram e mesmo assim acharam chato, não sei o que estão fazendo aqui.
    Esses textos são interessantes pra quem quer estudar ou então pra quem quer ampliar seus conhecimentos.
    Eu adorei o texto, está muito bom, obrigada !

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  6. PRECISO , FAZER UM TRABALHO URGENTE , PARA EU PASSAR EM GEOGRÁFIA , NÁ 6- SERIE , MIM AJUDEM ,
    ADICIONEM MEU MSN : feijaozinho.free-step@hotmail.com

    QUERO , OS CRITÉRIOS ULTILIZADOS POR AZIZ AB' SABER.

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  7. aai gnt me ajudem eu preciso fazer um trabalho de geografia e preciso saber o seguinte : como e quando se formaram os antigos dobramentos brasileiros .
    ME AJUDEEEM !
    Meu msn : mairaalimaa@hotmail.com
    Bjoooos ;*

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  8. para quem sabe é otimo

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  9. Respostas
    1. claro, afinal, pra vc falta o principal para entender um tema como este: CÉREBRO.

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  10. foi bastante util para resolver determinadas questões dos deveres de geografia . parabens!

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  11. muito util me ajudo fazer trabalho da escola
    e me ajudo a estudar pra prova vamos ver o resultado agora

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  12. Geografia é uma viagem maravilhosa... voce conhece o mundo de diversas maneiras. Dediquem-se ao máximo nos estudos, e nunca ignore o conhecimento, pois ele vai aonde voce for, e ninguem o tira de voce.

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  13. Poderia ser mais interessante!

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  14. muiiito bom, quem criticou eh pq eh burro demais.

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  15. muito bom...... estar sendo util

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  16. Excelente ! Parabéns.

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  17. Olha eu preciso desse assunto para fazeer o meu trabalho e está Ótimo embora eu nãao entendo de geografia!

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  18. O assunto está bem detalhado e os principais pontos foram mostrados. Parabéns!

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  19. otimo de bão
    é muito util pq minha professora é cão xupando manga é o capeta msm

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  20. Muito bom. So que precisa concentra muito na leitura para entender. Legal :D

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  21. Li vários artigos sobre este tema, e todos exigem muita atenção e se possível um organograma, e este é o melhor que lí, até o momento.

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